ARTIGO 07

A tarefa dos líderes de hoje é simples
e difícil: precisam encontrar as melhores pessoas
que puderem, motivá-las para que façam o
trabalho da forma mais bem feita possível e à maneira
delas próprias. Isso supõe dar poderes limitados
para as pessoas. Precisamos nos esforçar para melhorar
nossa flexibilidade, velocidade e qualidade e ainda priorizar
o que permanece como uma das medidas mais importantes:
a produtividade.
Ora, liderança diz respeito à mudança, à condução
de uma organização ou de um grupo de pessoas.
Um líder é alguém capaz de tirar um
grupo de onde ele está e levá-lo aonde devia
estar. Ele ajuda as pessoas a entenderem os porquês
e o que devem fazer para chegar à liderança.
Por isso, tanto os profissionais de cargos de chefia quanto
seus colaboradores precisam saber tomar decisões,
pois nem sempre haverá um superior por perto, em
momentos de deliberação. Assim, as organizações
vencedoras formam líderes em cada nível da
organização, para que estes possam tomar
as decisões corretas nos momentos certos, sem depender
exclusivamente de seus superiores.
Aliás, acredito que todos somos líderes em
alguma coisa. Em determinados períodos da vida precisamos
exercer esse papel liderando uma equipe, uma comunidade,
uma organização ou uma família e,
o que é crucial no mundo do trabalho hoje, à frente
da própria carreira. Quem nunca teve que tomar a
frente das responsabilidades em relação a
uma festa, a uma doença, a um problema de família
ou junto aos filhos? Nestes momentos estamos exercitando
nossa liderança.
Muitas vezes, liderança não é uma
das escolhas a se fazer. É a única opção.
Diz um ditado popular: “Se continuarmos fazendo o
que sempre fizemos, vamos continuar obtendo o que sempre
obtivemos”. Geralmente em tempos de crise, quando
existe algum risco, precisamos assumir o que chamam de
nossas responsabilidades, precisamos ser ágeis,
capazes de comunicar e antecipar os acontecimentos. Atualmente,
crises têm sido uma constante em todos os âmbitos,
por isso não é bom que sejam vistas como
catástrofes; mais adequado seria que a considerássemos
como uma purificação – que, aliás, é seu
significado etimológico – momento de crescimento.
Um notório professor de Recursos Humanos, José Agulhô,
ao falar de nossa capacidade de liderar nos mostrou o seguinte
conceito: “(...) temos que aprender a nos conhecer,
a gerir nossos atos, aprender a gerir-se primeiro”.
Este talvez seja o maior desafio do líder em tempos
de mudanças: conseguir gerir-se e ajudar seus colaboradores
a fazerem o mesmo.
Muito em breve, muito do que sabemos hoje não será tão
importante. O difícil é saber o que esquecer.
Os líderes de amanhã precisarão gerenciar
o presente, esquecer as coisas do passado de maneira seletiva
e procurar ter combustível suficiente para o futuro.
Isto não quer dizer simplesmente que os líderes
mudarão o que fazem hoje, deixando tudo para trás.
O negócio atual precisa ser protegido e a organização
deverá ser conduzida para um mundo totalmente novo. É importante
entender que nestes tempos de turbulência o conhecimento
tem prazo de validade cada vez menor. E como disse Alvin
Toffler: “Cabe aos gestores identificar quais necessidades
precisam ser tratadas primeiramente”.
Uma parte considerável das grandes mudanças
na prática do gerenciamento nos últimos anos
encontra-se no que hoje chamamos de liderança. Antigamente,
existia o modelo de gerenciamento através do modo “comando
e controle” de dirigir uma organização.
Atualmente, na maioria das organizações,
nós não obedecemos mais ordens, pelo menos
sem que haja uma boa razão. “Comando e controle”,
baseado na mentalidade militar, eram apropriados até os
anos 80, num clima social diferente e num ambiente empresarial
estável. Hoje em dia essa estabilidade acabou e
o que existe é um ritmo frenético de mudança.
No seu lugar surgiram novos valores como auto-estima e
responsabilidade individual.
Os líderes de hoje terão que destruir as
barreiras erguidas pelas lideranças passadas e construir
pontes. Devem implantar um novo estilo de gestão,
voltado para ajudar os colaboradores a realizarem o que
são capazes de fazer, criando um ambiente propício à discussão,
assegurando a liberação da capacidade criativa,
formulando uma visão para o futuro, encorajando,
emocionando, treinando, ensinando, facilitando, cultuando
o desprendimento e a diversidade, admirando e respeitando
as diferenças, e aproveitando as peculiaridades
para obter as melhores ações, intenções
e soluções.
Em tempos de mudanças, a maior parte do tempo de
um líder deveria ser gasta incentivando os colaboradores
a uma melhor produtividade, mantendo-os motivados e direcionando
energia e recursos para o seu desenvolvimento. Também
devem saber fazer as perguntas certas aos seus pares,
clientes e membros de equipes.
Toda mudança só acontecerá se houver
inovação. Mas só será possível
com o engajamento de toda a organização,
sem negociar os valores, as crenças e as habilidades,
senão não acontecerá nenhuma mudança.
Embora muita coisa tenha mudado, a necessidade de bons
líderes permanece constante. Apenas através
de uma liderança excepcional conseguiremos conquistar
os níveis de esforço e comprometimento necessários
para competir na economia mundial. Os líderes que
tiverem sucesso nessa difícil transformação
se descobrirão em novos papéis que são
muito mais recompensadores, tanto pessoal quanto profissionalmente.
“
Enquanto os vencedores comemoram, os perdedores se justificam” (Roberto
Shinyashiki).
Sônia Jordão
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